O grupo interinstitucional NEVE tem como principal objetivo o estudo e a divulgação da História e cultura da Escandinávia Medieval, em especial da Era Viking, por meio de reuniões, organização de eventos, publicações e divulgações em periódicos e internet. Conta com a colaboração de professores, pós-graduandos e graduandos de diversas universidades brasileiras, além de colaboradores estrangeiros. Filiado ao The Northern Women’s Art Collaborative (Universidade de Brown, EUA) e
à ABHR (Associação Brasileira de História das Religiões). Vinculado ao Programa de Pós Graduação em Ciências das Religiões da Universidade Federal da Paraíba. Registrado no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPQ. Contato: neveufpb@yahoo.com.br


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

MESTRADO SOBRE A HEIMSKRINGLA NA UFRN

O Programa de Pós Graduação em História da UFRN (História e Espaços), promoveu no dia 24 de setembro do corrente, a defesa da dissertação de mestrado: Guerra e Identidade: um estudo da marcialidade no Heimskringla, de Pablo Gomes de Miranda. A banca foi composta pelos professores Johnni Langer (UFPB), Edrisi Fernandes (UNB), Marcia Severina Marques (UFRN) e Raimundo Pereira Alencar Arrais (UFRN).


Trata-se de um estudo inédito no Brasil, pesquisando uma das fontes mais importantes da Escandinávia Medieval, a Heimskringla, em seus aspectos de marcialidade e espaço. Em um dos capítulos da dissertação, Pablo Miranda investiga as conexões entre mito, magia e religião no mundo da guerra nórdica, especialmente os relacionados a Odin, e em outro capítulo, a formação de uma identidade guerreira a partir das fronteiras entre os países escandinavos.

Pablo Miranda é membro do NEVE, Núcleo de Estudos Vikings e EScandinavos, e há vários anos se dedica ao estudo da história da guerra no mundo nórdico. Atualmente prepara um projeto sobre mitologia e folclore escandinavo, a ser desenvolvido no doutorado.

Fotografia de um dos manuscritos da Heimskringla


Resumo da dissertação: O objetivo de nossa dissertação é estudar como os escritos escandinavos produziram uma identidade da Noruega em ideais bélicos dentro de uma compilação de sagas islandesas chamado Heimskringla e que tem parte de seu conteúdo voltado para narrativas de um momento conturbado do surgimento das monarquias escandinavas entre o século VIII e XI, a chamada Era Viking. O Heimskringla, também conhecido como “O Círculo do Mundo” é um conjunto de escritos baseados na memória oral islandesa sobre os reis noruegueses e a formação do território norueguês. Na medida em que investigamos a relação entre os membros da realeza, seus companheiros e os povos escandinavos, passamos a delinear as relações de memória, identidade e guerra. Nosso trabalho pontua a maneira como a guerra escandinava produz, em suas narrativas, espaços próprios, seja nas relações político-sociais entre seus participantes, na organização de seus conflitos, ou na localização das atividades guerreiras, onde os lugares transformam-se em pontos essenciais dessas narrativas. A guerra é ao mesmo tempo um lugar de afirmações identitárias e um espaço de práticas necessárias para o fortalecimento do poder real.


domingo, 22 de setembro de 2013

MITOLOGIA ESCANDINAVA É TEMA DE EVENTO NOS EUA

                               Prof. Dr. Johnni Langer (UFPB/NEVE)

A Universidade de Harvard promove a 12ª. Edição do The Aarhus Old Norse Mythology Conference at Harvard, a ser realizada de 30 de outubro a 1 de novembro de 2013. Alguns escandinavistas e mitólogos consagrados, como Neil Price, Chris Abram, John Lindow, Terry Gunell, entre outros, apresentarão suas mais recentes pesquisas.


Entre os diversos conferencistas convidados, percebemos a grande ênfase atual nos estudos de mitologia comparada aplicados à área escandinava: John Lindow compara os mitos finlandeses aos nórdicos, enquanto Thomas Dubois compara as tradições de cosmologia e astronomia báltico-finlandesa com a nórdica (seguindo uma pesquisa já apresentada na Califórnia em 2012). Outros comparatistas, como Emyle Lyle, Joseph Nagy, Kimberley Patton e Michael Witzel, utilizam áreas muito exploradas na escandinavística clássica, como a irlandesa, a grega e iraniana e algumas não muito comuns nas pesquisas contemporâneas, como a indiana e a chinesa. 
Certos temas explorados seguem a tendência recente em analisar temas escatológicos, como Cristopher Abram em uma interpretação do poema Völuspá; Mathias Nordvig volta a pesquisar a influência do vulcanismo nas narrativas míticas islandesas; o arqueólogo Neil Price explora o tema ragnarokiano do ponto de vista de eventos geoclimáticos; Lukas Rösli analisa as diferentes versões do Ragnarok nas fontes medievais.


O escandinavista Thomas DuBois (Universidade de Wisconsin-Madison), um dos poucos pesquisadores atuais de Etnoastronomia da Escandinávia Medieval


Algumas pesquisas seguem a tendência tradicional de análise de narrativas individuais, como Joseh Nagy, interpretando as diferentes versões da serpente nórdica; Henning Kure explora o tema da interpolação no poema Grímnismál; Karin Johánna analisa as divindades nórdicas na poesia rímur; Kate Heslop pesquisa o tema do herói em várias narrativas literárias; Jürg Glauser analisa o papel do hidromel na literatura mitológica; Nordal Gudrun interpreta o Grímnismál a partir da cosmologia do século XIII.
Outra grande tendência metodológica do evento é a análise dos mitos a partir das evidências materiais da cultura religiosa pré-cristã: Merill Kaplan volta a investigar a autenticidade pagã do conto de Volsi (recentemente analisado por Clive Tooley); Kimberley Patton e Olof Sundqvist analisam o tema da árvore cósmica e suas possíveis ritualizações na paisagem sagrada; Jens Peter Schjødt analisa os modelos de religiosidade nórdica pré-cristã preservados nas fontes medievais; Kees Samplonius examina o papel da magia no paganismo nórdico, em especial, a suposta interpretação de que o corpo feminino encontrado na famosa sepultura de Oseberg teria sido uma völva; Terry Gunell apresenta considerações sobre o culto dos deuses vanes e sua preservação oral nas fontes literárias.


O arqueólogo Neil Price (Universidade de Abeerden), um dos mais famosos escandinavistas da atualidade.


Certamente um grande evento acadêmico que comprova, mais do que nunca, a atualidade e a importância do estudo contemporâneo da mitologia nórdica, certamente a área mais popular dos estudos escandinavos.


Informações sobre o evento podem se conferidas aqui

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

ARTIGO ANALISA A ASTRONOMIA E A COSMOLOGIA DA ERA VIKING


A revista Domínios da Imagem, publicação do Laboratório de Estudos da Imagem (UEL), em sua última edição (n. 12 de 2013), acaba de publicar um estudo sobre a Etnoastronomia na Era Viking, com autoria do professor Johnni Langer (UFPB). Trata-se de uma área ainda muito pouco estudada no mundo, mas muito promissora em termos de fontes e perspectivas, tanto para região nórdica quanto para a Europa Medieval de maneira geral. A área de Etnoastronomia e Arqueoastronomia ainda é pouco conhecida no Brasil.

Artigo: O céu dos vikings: uma interpretação etnoastronômica da pedra rúnica de Eckelbo (Gs 19), DOMÍNIOS DA IMAGEM 6(12), 2013, pp. 97-112. ISSN: 2237-9126 (Digital).


Resumo: O presente artigo propõe algumas interpretações iconográficas para a pedra rúnica de Ockelbo (Gs 19), monumento erigido na Escandinávia durante a Era Viking (793-1066 d.C.). A investigação propõe uma análise através do referencial da Etnoastronomia, em convergência com os estudos de mitologia comparada e da História cultural. Nossa principal hipótese é a de que este monumento possui referências cosmológicas e astronômicas, centralizadas na representação mitológica da Via Láctea e constelações correlacionadas a esta.

O artigo pode ser acessado no link




sábado, 7 de setembro de 2013

LANÇAMENTO ANALISA AS INFLUÊNCIAS CÉLTICAS NO PAGANISMO GERMÂNICO

Novo estudo sobre a influência céltica na religiosidade germânica pré-cristã. 



Livro recém lançado do professor Mathias Egeler, da Universidade de Cambridge, aprofunda metodologicamente e em vário estudos de caso, especialmente em temas da mitologia escandinava, a sua relação com a área céltica. Poucos estudos anteriores efetuaram algo neste sentido, como o livro Myths and symbols in pagan Europe, de Hilda Davidson, de 1988.

Uma resenha da obra pode ser conferida aqui.

Para uma consulta ao índice do livro e a primeira parte, clique aqui.