O grupo interinstitucional NEVE tem como principal objetivo o estudo e a divulgação da História e cultura da Escandinávia Medieval, em especial da Era Viking, por meio de reuniões, organização de eventos, publicações e divulgações em periódicos e internet. Conta com a colaboração de professores, pós-graduandos e graduandos de diversas universidades brasileiras, além de colaboradores estrangeiros. Filiado à ABHR, VIVARIUM e ABREM. Registrado no CNPQ. Contato: neveufpb@yahoo.com.br

terça-feira, 20 de junho de 2017

Conferência no V CEVE: Sobre o uso dos bestiários

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Morre Régis Boyer, o maior escandinavista da França

 
 
                                        Prof. Dr. Johnni langer (UFPB/NEVE)

Faleceu no dia 16 de junho corrente o maior nome da Escandinavística Medieval da França, o historiador Régis Boyer, com a idade de 84 anos.
 
Boyer foi responsável pela tradução de dezenas de sagas islandesas (além da Edda Poética) ao francês, além de autor de diversos livros, artigos e publicações especializadas no estudo da Escandinávia da Era Viking.

Foi o autor mais influente na Escandinavística brasileira produzida no início dos anos 2000. O periódico brasileiro Brathair publicou em 2004 um pequeno ensaio de sua autoria: Óðinn: Guia Iconográfico (traduzido por Luciana de Campos).
 
 A seguir segue uma pequena listagem de seus principais livros analíticos:
 
 
Uma das mais originais e importantes obras do historiador. Boyer não somente reconstitui diversos aspectos do imaginário sobre os vikings criados durante o Oitocentos, como analisa as suas transformações e ressignificações na literatura, arte e mídia.
 
 
Obra considerada por diversos escandinavistas como uma das melhores contribuições de Boyer, analisando o tema da magia no mundo nórdico da Era Viking.
 
 
Obra original (um dos poucos estudos sobre as deusas nórdicas) mas controversa, por incluir análises da perspectiva matriarcalista da arqueóloga Marija Ginbutas.
 
 
Um dos livros mais famosos de Régis Boyer. Um de seus primeiros estudos, ainda influenciado pelas teorias de Georges Dumézil, onde descortina a religião nórdica em uma perspectiva diacrônica e arqueológica.
 
 
Uma das poucas incursões do autor ao tema da cristianização da Escandinávia, onde elabora algumas análises extremamente interessantes.
 
 
Manual sobre a história, sociedade e cultura da Islândia na Era Viking.
 
 
O mais famosos e popular manual do autor sobre a Era Viking. Fabulosa sistematização de diversos aspectos da história e sociedade nórdica durante a Alta Idade Média.
 
 
Excelente dicionário iconográfico sobre mitologia nórdica.
 
 
Obra de popularização sobre o tema da arte nórdica da Era viking
 
 
Segue abaixo uma pequena síntese biográfica de régis Boyer extraída do site francês Toutelaculture.com:
 
Né le 25 juin 1932 à Reims, Régis Boyer est décédé le 16 juin à La Varenne Saint Hilaire. Cet amoureux de la littérature du Nord passa la majorité de son existence à déconstruire les mythes autour de l’ancien Scandinave et à partager sa passion pour les écrits du Nord. Au cours de ses études de lettres et de philosophie à Nancy, il fit la connaissance de Maurice Gravier, alors enseignant d’allemand et spécialiste de Luther. C’est à cette époque que, durant un cours d’initiation au scandinave, il tomba sous le charme des sagas islandaises. Cette passion ne le quittera jamais. Ce professeur émérite de langues et littératures scandinaves de la Sorbonne voyagea beaucoup et exerça, durant les années 1960, au poste de lecteur de français dans de nombreuses universités européennes (Lódz en Pologne, Reykjavik en Islande, Lund en Suède). Ces années de voyage l’amenèrent aussi à être directeur de la Maison de la France d’Uppsalla entre 1964 et 1970.Amoureux de la littérature du Nord, il participa à l’émergence des études nordiques en France. En 1978, Régis Boyer créa un enseignement d’études scandinaves à la Sorbonne, en fut le directeur et dirigea les travaux de thèse de nombreux spécialistes. Parfois remise en cause par les travaux de recherche actuels, son œuvre intellectuelle reste, néanmoins, l’une des principales porte d’entrée vers la culture nordique pour les passionnés. Son impressionnante bibliographie compte plusieurs dizaines d’ouvrages dont des travaux d’historiens, des traductions de sagas, de contes ou de pièces de théâtre d’auteurs majeurs tel Henrik Ibsen ou August Strindberg. Sans aucun doute, ses traductions de sagas, éditées au milieu des années 1980 puis rééditées à de nombreuses reprises dans la collection de La Pléiade, représentent un tournant pour la reconnaissance et le développement de la littérature nordique en France. De moins en moins présent lors des rencontres scientifiques, il s’est finalement éteint à l’aube de son 85ème anniversaire.
 

segunda-feira, 19 de junho de 2017

NEVE publica livro em Portugal



O historiador Hélio Pires, membro do NEVE, acaba de publicar o livro Os vikings em Portugal e na Galiza: as incursões nórdicas medievais no Ocidente ibérico pela editora Zéfiro, de Sintra, Portugal. O livro é baseado em sua tese de doutorado em História pela Universidade Nova de Lisboa.
 
Hélio Pires também ministrará uma conferência no dia 21 de junho no Museu da Marinha em Lisboa: Rainhas, pescaria e cruzados: Portugal e a Dinamarca, dos Vikings até à Idade das Descobertas.
 
O referido museu está com uma exposição temporária sobre o tema: vikings - guerreiros do mar, com mais de 600 peças e utensílios da coleção nórdica do Museu da Dinamarca.

http://ccm.marinha.pt/pt/museu/exposicoes/exposicoestemporarias
 

domingo, 18 de junho de 2017

Conferência no V CEVE/II CPM

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Conferência:
“Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras”: conflitos sociais, simbolismo animal e as reconstruções da narrativa primordial sobre a unidade cristã (950-1125).
 
Com Prof. Dr. Leandro Duarte Rust (Universidade Federal de Mato Grosso).
V CEVE/II CPM/IJSR, 3 a 6 de outubro de 2017

Resumo: Aristocratas condenados a carregar fétidas carcaças de cães perante audiências régias; grupos de citadinos abastados descritos como matilhas ensandecidas; bispos cujas críticas eram encaradas como mordidas caninas que dilaceravam as entranhas da autoridade universal... A documentação que compõe a história da res publica governada pelos imperadores otônidas e sálios – notadamente aquela há muito classificada como “crônicas” - está impregnada de alusões a animais. Apesar da notoriedade dos imaginários como objeto de estudos, tais referências costumam receber uma atenção tacanha, marginal, como se não passassem de meros floreios retóricos ou analogias irrelevantes para uma investigação séria. Nesta conferência, gostaríamos de sugerir uma abordagem distinta: a de que o simbolismo animal não apenas expressa, mas condiciona, decisivamente, as percepções acerca da unidade cristã. Não se trata de meros adornos narrativos ou hipérboles descritivas. A força simbólica de tais imagens mentais era uma engrenagem fundamental ao incessante movimento de disputa e reconstrução das legitimidades cristãs, lançando, com isso, uma luz histórica privilegiada sobre o curso de certos conflitos coletivos. O simbolismo animal colocava em jogo uma narrativa primordial sobre a unidade e a exclusão social no âmago da hegemonia imperial entre os séculos X e XII. Eis a hipótese que defenderemos com base na análise documental e no diálogo com certas reflexões teóricas de Ronald Grigor Suny e Margaret Somers.
 
Mais informações clique aqui.

sábado, 17 de junho de 2017

Minicurso: Mitologia Nórdica, V CEVE

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Minicurso: Mitologia nórdica
 
Prof. Me. Ricardo Wagner Menezes Oliveira (UFPB/NEVE/VIVARIUM-NE)
Profa. Andressa Furlan Ferreira (PPGCR-UFPB/NEVE/VIVARIUM-NE)
Profa. Angela Albuquerque de Oliveira (PPGCR-UFPB/NEVE/VIVARIUM-NE)
 
Resumo: Representações de animais não-humanos na mitologia nórdica abundam tanto em fontes escritas quanto em produtos da cultura material, tais como broches, bordados, estatuetas, escudos, estelas fúnebres etc. Este minicurso, de abordagem interdisciplinar, tem como objetivo geral apresentar alguns animais que se destacam nos mitos nórdicos e discutir respectivos significados simbólicos e religiosos. Para tanto, fontes iconográficas, narrativas mitológicas, práticas mágicas e depósitos arqueológicos serão contextualizados e analisados. Três módulos serão ministrados por cada professor e os seguintes animais serão enfatizados: 1) aves; 2) cavalos e caprinos; e 3) lobos e serpentes. No primeiro módulo, o professor Ricardo realizará uma análise das representações iconográficas de algumas aves (águias, corvos e cisnes) presentes na arte escandinava da Era Viking, relacionando-as com deuses e outros seres mitológicos, de modo a evidenciar como esse grupo de animais está relacionado com aspectos de cosmovisão que simbolizam o céu, os deuses, a sabedoria, a aristocracia, a viagem entre os planos, entre outros elementos míticos. No segundo módulo, a professora Andressa apresentará sobre a relevância de cavalos e caprinos (bodes, cabras e ovelhas) na cultura e religião nórdicas antigas, especialmente a respeito de seus usos em práticas mágicas e ritos sacrificiais. No terceiro e último módulo, a professora Angela explorará elementos simbólicos no tocante à fúria cósmica — a Era de Lobos, (Fenrir, Skoll e Hati) que atinge a abóboda celeste no evento de Ragnarök como desencadeadora do caos cósmico — e à fúria de gigante de Jormungand, a serpente de Midgard, que traz dilúvio e maremoto.
 Palavras-chave: mitologia nórdica; animais sagrados; simbolismo animal.
 Bibliografia:
 
Fontes primárias:
Anônimo. Edda Mayor. Tradução e notas de Luis Lerate. 4ª edição. Madrid: Alianza  Editorial, S. A., 2012.
 Anônimo. The Elder Edda: A Book of Viking Lore. Tradução de Andy Orchard. Londres: Penguin Classics, 2011.
 
STURLUSON, Snorri. Edda em Prosa. Tradução, apresentação e notas de Luis Lerate. 4ª edição. Madrid: Alianza Editorial, S. A., 2012.
 ______. La saga de los Ynglingos. Tradução, prólogo e notas de Santiago Ibáñez Lluch. Madrid: Miraguano, 2012.
 ______. The Prose Edda. Tradução de Jesse L. Byock. Londres: Penguin Classics, 2005.
 
Fontes secundárias:
 BERNARDEZ, Henrique. Los Mitos Germánicos. Madrid: Alianza Editorial, 2010.
 BOAS, Franz. Arte Primitiva. Petrópolis: Editora Vozes, 2014.
 BOURNS, Timothy. The Language of Birds in Old Norse Tradition. Dissertação de mestrado, Universidade da Islândia, 2012.
 BRANDÃO, C. R. Identidade e Etnia: construção da pessoa e resistência cultural. São Paulo: Brasiliense, 1986.
 DAVIDSON, Hilda Roderick Ellis. Deuses e mitos do Norte da Europa: uma mitologia é o comentário de uma era ou uma civilização específica sobre os mistérios da existência e da mente humanas. Tradução de Marcos Malvezzi Leal. São Paulo: Madras, 2004.
 
DUTTON, Douglas Robert. An Encapsulation of Óðinn: Religious belief and ritual practice among the Viking Age elite with particular focus upon the practice of ritual hanging 500–1050 AD. Tese de doutorado em Estudos Escandinavos, Universidade de Aberdeen, 2015, 271 p.
 EINARSDÓTTIR, Katrín Sif. The Role of Horses in the Old Norse Sources – Transcending worlds, mortality, and reality. Dissertação de mestrado em Estudos Medievais Islandeses, Universidade da Islândia, 2013.
GRÄSLUND, Anne-Sofie. Wolves, serpents, and birds: their symbolism meaning in Old Norse beliefs. In: ANDRÉN, Anders; JENNBERT, Kristina; RAUDVERE, Catharina (eds.). Old Norse Religion in long-term perspectives: origins, changes, and interactions. Lund: Nordic Academic Press, 2004, p. 124-129.
 GUNNELL, Terry. “Magical Mooning” and the “Goatskin Twirl”: Magical Practices. In: TANGHERLINI, Timothy (ed.). Nordic Mythologies: Interpretations, Intersections, and Institutions. The Wildcat Canyon Advanced Seminars, vol. 1. North Pinehurst Press, 2014, p. 133-153.
______. The Season of the Dísir: The Winter Nights and the Dísablót in early Medieval Scandianvian Belief. Cosmos 16, 2000, p. 117-149.
 HARKAVY, Victoria. Horse motifs in folk narrative of the supernatural. Dissertação de mestrado em Estudos Interdisciplinares de Artes, Universidade George Manson, 2014.
 IRVINE, Leslie. Animals and Sociology. Sociology Compass 2/6, 2008, p. 1954–1971.
 JENNBERT, Kristina. Animals and Humans: Recurrent symbiosis in archaeology and Old Norse religion. Vägar till Midgård 14. Nordic Academic Press, 2011.
 ______. The mania of the time. In: On The Road: studies in honour of Lars Larsson.Lund: Almqvist & Wiksell Internation, 2007, p. 24-28.
 
_____. Sheep and goats in Norse paganism. In: FRIZELL, B. Santillo (ed.). Man and animal in Antiquity (Proceedings of the conference at the Swedish Institute in Rome, September 9-12, 2002), 2004, p. 160-166.
 LANGER, Johnni (org.). Dicionário de Mitologia Nórdica. São Paulo: Editora Hedra, 2015.
 ______. Os cometas na Era Viking. Notícias Asgardianas, n. 4, março-maio de 2013.
 
_____. A morte de Odin? As representações do Ragnarök na arte das Ilhas Britânicas (séc. X). Medievalista [online], nº 11, janeiro–junho 2012. Disponível em: <http://medievalista.revues.org/812>. Acesso em: 05/12/2015.
______.  Mythica Scandia: repensando as fontes literárias da mitologia viking. Brathair 6 (2), 2006. Disponível em: <http://ppg.revistas.uema.br/index.php/brathair/article/view/558/490>. Acesso em: 30/06/2016.
 LINDOW, John. Norse Mythology: a guide to the gods, heroes, rituals and beliefs New York: Oxford University Press, 2002.
 OLIVEIRA, Leandro Vilar. Thor, o Senhor dos Bodes: Um estudo de simbologia animal. Diversidade Religiosa – Revista Discente do Programa de Pós-Graduação em Ciências das Religiões da UFPB, v. 6, n. 1, 2016, p. 34-63.
 
ROSS, Margaret Clunies. The Role of the Horse in Nordic Mythologies. In: TANGHERLINI, Timothy R. (ed.). Nordic mythologies: interpretations, intersections, and institutions. The Wildcat Canyon Advanced Seminars, Mythology, vol. 1. Berkeley, Los Angeles: North Pinehurst Press, 2014, p. 50-70.
 SCHMITT, Jean-Claude. O corpo das imagens: ensaios sobre a cultura visual na Idade Média. Tradução de José Rivair Macedo. Bauru: Edusc, 2007.
 
SHENK, Peter. To Valhalla by Horseback? Horse Burial in Scandinavia during the Viking Age. Dissertação de mestrado em Cultura Nórdica Viking e Medieval, Universidade de Oslo, 2002, 90p.


sexta-feira, 16 de junho de 2017

Minicurso: Sagas Islandesas, V CEVE

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Sagas islandesas: abordagens e sentidos

 Prof. Me. André Araújo de Oliveira (UFMT/NEVE/INSÍGNIA)
Prof. Me. José Lucas Cordeiro Fernandes (NEVE/GERAM)
Prof. Me. Pablo Gomes de Miranda (UFPB/VIVARIUM-NE/NEVE)
Objetivo: Neste minicurso, buscaremos traçar um panorama sobre as sagas islandesas, explorando a multiplicidade de subgêneros que este corpus documental possui. Compreendemos que, dentro da conceituação moderna, podemos relacionar estas fontes com uma dinâmica literária, portanto, buscaremos explorar esta dinâmica para analisar as múltiplas relações que a literatura tem para com a sociedade medieval escandinava. A partir disso, dividiremos em três momentos: 1°) O Prof. Me. José Lucas Cordeiro Fernandes (NEVE/GERAM) irá fazer uma análise da conceituação de verdade e da dinâmica estética literária cristã dentro das Sagas de Família (Íslendingasögur), buscando apresentar e problematizar as peculiaridades deste gênero, assim como fazendo um panorama sobre suas composições; 2°) No segundo dia, o Prof. Me. André Araújo de Oliveira (UFMT/NEVE/ INSÍGNIA) trabalhará o contexto de produção e reprodução das Sagas de Bispo (Biskupasögur) onde se dedicará a explicitar os fatores histórico-sociais que influenciaram a produção escrita; 3°) O Prof. Me Pablo Gomes de Miranda (UFPB/VIVARIUM-NE/NEVE) buscará discutir a noção de passado e mito utilizando as Sagas dos Tempos Antigos das Terras do Norte (Fornaldarsögur Norðrlanda) e se detendo na construção de um mosaico histórico das produções de narrativas mitológicas entre os escandinavos medievais, suas construções de espaços míticos e os elementos heroicos ressignificados pela circularidade cultural surgida pós-século XIII. Dessa maneira, buscaremos apontar diferentes abordagens teórico-metodológicas com o intento de explorar, mesmo que ainda de forma superficial, a larga dinâmica dos estudos em sagas islandesas, bem como algumas problemáticas que deverão ser questionadas em seus usos.
Palavras-Chave: Cultura Escrita; Sagas Islandesas; Literatura.
 
Bibliografia:
HOLMAN, Katherine. Historical Dictionaries of the Vikings. Oxford: The Scarecrow Press Inc., 2003.
KARLSSON, Gunnar. The History of Iceland. Minneapolis: The University of Minnesota Press, 2000.
LANGER, Johnni (Org.). Dicionário de Mitologia Nórdica: Símbolos, Mitos e Ritos. 1ed.São Paulo: Hedra, 2015.
MITCHELL, Stephen A. Heroic Sagas and Ballads. Londres: Cornell University Press, 1991.
ROSS, Margaret (Ed.). Old Icelandic Literature and Society. Cambrige University Press: 2000.
SAWYER, Birgit; SAWYER, Peter. Medieval Scandinavia: from conversion to reformation. London: University of Minnesota Press, 2006.
SIGURĐSSON, Gísli: Gaelic Influence in Iceland. Reykjavík: University of Iceland Press, 2000.
STRÖMBACK, Dag. The Convertion of Iceland: A survey. London: University College London. 1975.
TULINIUS, Torfi H. La “Matière du Nord”: sagas légendaires et fiction dans la littérature islandaise en prose du XIII e. siècle.Paris: Presses de l´Université de Paris- Sorbonne, 1995.
VÉSTEINSSON, Orri. The Christianization of Iceland: Priests, Power and social Change 1000 – 1300. Oxford: Oxford University Press. 2000.
ZUMTHOR, Paul. A letra e a voz. A “literatura” medieval. São Paulo: Companhia das Letras,1993.
 
Inscrições e informações clique aqui.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Minicurso: História da Escandinávia

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História da Escandinávia

 Objetivo geral: O minicurso se propõe a introduzir ao inscrito algumas reflexões iniciais de temas específicos da história escandinava como a Era Viking (793-1050), a invasão da Inglaterra pelos dinamarqueses (886-878) e o protagonismo político do Império da Suécia (1560-1718), a partir de aulas expositivas, leituras e discussões documentais. Cada um dos responsáveis pelo minicurso abordará temáticas paralelas a suas pesquisas atuais baseados em abordagens históricas ou arqueológicas e tópicos específicos como a política, sociedade e cultura.

 Aula 1
(04 de outubro de 2017)
Prof. Me. Munir Lutfe Ayoub (MAE-USP/NEVE)
Os vikings são lembrados como invasores que destruíram e espalharam pavor por toda a Europa. No entanto, a historiografia e a arqueologia atual têm se esforçado para uma percepção maior desses povos e de suas sociedades. Nossa primeira aula, portanto, tem como objetivo específico pensar o conceito de “Era período Viking” (VIII-XI) e a diversidade de culto do mundo nórdico a partir do tratamento de fontes do período e suas problemáticas.
Bibliografia
ABRAM, Christopher. Myths of the Pagan North. Auckland: Continuum International Publishing Group, 2011.
ANDRÉN, Anders; JENNBERT, Kristina; RAUDVERE, Catharina. Old Norse Religion Some problems and prospects. In: ANDRÉN, Anders; JENNBERT, Kristina; RAUDVERE, Catharina. (Eds.). Old Norse Religion in long-term perspectives: origin, changes, and interactions. Lund: Nordic Academic Press, 2006. p. 11-15.
GANSUM, Terje; OESTIGAARD, Terje. The ritual stratigraphy of monuments that matter. European Journal of Archaeology, v. 7, n. 1, p. 61-79, 2004.
HEDEAGER, Lotte. Iron-Age Societies. Tradução de John Hines. Cambridge: Three Cambridge Center, 1992.
HODDER, Ian. The contextual analysis of symbolic meanings. In: HODDER, Ian. (Ed.). The Archaeology of Contextual Meanings. Cambridge: Cambridge University Press, 2009. p. 1-10.
SUNDQVIST, Olof. An Arena for Higher Powers. Cult Buildings and Rulers in the Late Iron Age and The Early Medieval Period in the Mälar Region. In: STEINSLAND, Gro et al. (Orgs.). Ideology and power in the Viking and Middle Ages Scandinavia, Iceland, Ireland, Orkney and the Faeroes. Boston: Leiden, 2011. p. 163-210.

 Aula 2
(05 de outubro de 2017)
Prof. Me. Leandro Vilar Oliveira (PPGCR-UFPB/NEVE)
E-mail: vilarleandro@hotmail.com
O tema do segundo encontro será o processo de conquista de parte do território das ilhas britânicas pelos dinamarqueses (daneses) até a formação do Danelaw, parcela da área bretã governada pelos nórdicos. O século IX durante a Era Viking (VIII-XI) foi o período de maior expansão nórdica pelo continente europeu e Oriente Próximo. Nessa época, vários foram os processos de conquista e colonização, principalmente na Europa Ocidental. Entre estes acontecimentos destaca-se a conquista de parte da Inglaterra, durante os anos de 866-878, onde ocorreram as guerras da “Grande Armada Danesa” - o maior exército nórdico a invadir à Bretanha -, cujas conquistas resultaram na formação dos territórios ocupados pelos dinamarqueses e noruegueses até o século X.
Bibliografia
THE ANGLO-SAXON Chronicle. Translation Rev. James Ingram. London: Everyman Press Edition, 1912.
GRAHAM-CAMPBELL, James (org.). Os vikings. Barcelona: Folio S.A, 2006.
HADLEY, D. M. The Northern Danelaw. Its social structure, c. 800-1100. London/New York: Leicester University Press, 2000.
HAYWOOD, John. Historical Atlas of Vikings. London: The Penguin Books, 1995.
HEATH, Ian; MCBRIDE, Angus. The Vikings. London: Osprey Publishing, 1985. (Elite Series, 3).
KEYNES, Simon. The Vikings in England, c. 790-1016. In: SAWYER, Peter (ed.). The Oxford Illustrated History of the Vikings. New York: Oxford University Press, 1997. p. 48-82.
LOGAN, T. Donald. The vikings in the history. 2. ed. London/New York: Routledge, 1991.
STREISSGUTH, Thomas. Life among the Vikings. San Diego, CA: Lucent Books, 1999.
WINROTH, Anders. The Age of the Vikings. Princenton: Princenton University Press, 2014.

 Aula 3
(06 de outubro de 2017)
Prof. Vítor Bianconi Menini (PPGH-Unicamp/NEVE)
E-mail: meninivitor@gmail.com
O terceiro encontro do minicurso tratará da experiência política da Suécia durante o século XVII, período conhecido pela historiografia como Stormaktstiden (“Era de grande poder”). Para isso, o resgate das raízes medievais do processo de centralização da Suécia será o ponto inicial da exposição. Os objetivos da aula serão compreender a construção e queda do Império sueco enquanto protagonista do cenário europeu após o Tratado de Vestefália e como esse movimento afetou aquela sociedade a partir da edificação do Estado moderno e seus desafios internos e externos.
Bibliografia
ANDERSON, Perry. Linhagens do Estado Absolutista. São Paulo: Editora Unesp, 2016.
CONTAMINE, Philippe. War and Competition between states. New York: Oxford University Press, 2000. (The origins of the Modern State in Europe).
GLETE, Jan. War and State in Early Modern Europe. New York: Routledge, 2002. (Warfare and History).
HALLENBERG, Mats; HOLM, Johan; JOHANSSON, Dan. Organization, Legitimation, Participation. Scandinavian Journal of History, Abigdon, v. 33, n. 3, p.247-268, out. 2008.
HAZARD, Paul. A Crise da Consciência Europeia. Tradução de Oscar de Freitas Lopes, Lisboa: Edições Cosmos, 1948.
LARSON, James. Reforming the North - The Kingdoms and churches of Scandinavia, 1520 – 1545. Cambridge: Cambridge University Press, 2010.
LINDEGREN, Jan. The Swedish ‘military state’, 1560–1720. Scandinavian Journal of History, Abigdon, v. 10, n. 4, p.305-336, dez. 1985.
LOCKHART, Paul. Sweden in the Seventeenth century. London: Palgrave, 2004.
NAUM, Magdanlena; NORDIN, Jonas M. Scandinavian Colonialism and the Rise of Modernity: Small Time Agents in a Global Arena. New York: Springer, 2013. (Contributions to Global Historical Archaeology).
PAGDEN, Anthony. Lords of all the World. New Haven & London: Yale University Press, 1995.
PARKER, Geoffrey. Global Crisis: War, Climate Change and Catastrophe in the Seventeenth Century. New Haven & London: Yale University Press, 2013.
REINHARD, Wolfgang [ed.]. Power Elites and state building. New York: Oxford University Press, 1996. (The origins of the Modern State in Europe).
ROBERTS, Michael. The Swedish Imperial Experience 1560 – 1718. 2. Ed. Cambridge: Cambridge University Press, 1984.
_______________. The Early Vasas: A History of Sweden 1523 - 1618. 2. ed. Cambridge: Cambridge University Press, 1986.
SCHILLING, Heinz. The European Crisis of the Early Seventeenth Century and the Birth of an International State System. In: IDEM, Early Modern European Civilization and its Political and Cultural Dynamism. (The “Menahem Stern Jerusalem Lectures”, 2006). Lebanon (New Haven): University Press of New England, 2008, p. 65-86 e 110-114.
 
Informações e inscrições clique aqui.
 

domingo, 11 de junho de 2017

V Colóquio de Estudos vikings na UFPB

 
O V Colóquio de Estudos Vikings e Escandinavos está com inscrições abertas: para ouvintes é gratuito. Também está disponível alojamento para estudantes. O evento será realizado de 3 a 6 de outubro de 2017.
Maiores informações clique aqui.
 
 

quinta-feira, 1 de junho de 2017

NEVE completa sete anos divulgando a Escandinavística

 
 
O Núcleo de Estudos vikings e Escandinavos (NEVE) está completando sete anos de existência. Durante este período, o grupo contribuiu pra o avanço das pesquisas de Escandinavística no Brasil, permitindo que os estudos nórdicos tenham mais espaço e repercussão na academia.
O blog do NEVE conta com quase 400 mil acessos, um feito considerável em se tratando de um espaço virtual realizado por acadêmicos.
A conta do NEVE no Academia.Edu está atualmente com 33 mil visualizações e disponibiliza arquivos de periódicos, caderno de resumos e outros materiais para pesquisa.
O boletim Notícias Asgardianas (atualmente contando com 11 edições) já contabiliza 3.000 acessos.
A página do NEVE no facebook conta com 8.237 curtidas, enquanto que o grupo do facebook soma 9.902 membros.
 
 
DEPOIMENTOS SOBRE O NEVE POR ACADÊMICOS BRASILEIROS
 
"O vertiginoso crescimento, nas últimas décadas, dos estudos medievais no Brasil é fruto, entre outros aspectos, dos esforços e da dedicação de estudantes e de profissionais de diversas regiões do país, que se congregam em laboratórios e núcleos de pesquisas diversos votados à pesquisa e à divulgação do conhecimento daquela ´fatia de duração do tempo´ entre nós. Como membro de um deles, o Translatio Studii, gostaria de congratular-me aqui com o Prof. Johnni e com todos os membros que fazem, cotidianamente, o NEVE, grandes responsáveis pela promoção dos estudos das sociedades medievais escandinavas em nosso país. Coube ao NEVE, podemos afirmar, sem lugar à dúvida, fazer aportar em plagas brasileiras a vigorosa experiência histórica das sociedades nórdicas medievais, agora com registros inequívocos, de forma perene e, faço votos, na mais longa e efetiva duração!"
Prof. Dr. Mário Jorge da Motta Bastos - Niterói - UFF

"O trabalho realizado pelo NEVE em prol do conhecimento, análise e difusão dos saberes sobre as sociedades e a história dos nórdicos refletem uma faceta pouco conhecida dos estudos medievais, que começou a ser iluminada há alguns anos atrás e é digna de menção e elogio. Auguramos a sequencia e a manutenção dos resultados e do sucesso que este grupo amealhou nos seus anos de existência."
Prof. Dr. Sergio Alberto Feldman - Vitória - UFES

"Parabéns ao NEVE pela sua existência. Sob a coordenação do Prof. Dr. Johnni Langer (UFPB) consolida-se um espaço institucional acadêmico destinado aos estudos nórdicos e escandinavos , fruto de longo e árduo trabalho empreendido pelo referido pesquisador. Publicações, eventos e blog são ferramentas mais que úteis para a divulgação da contribuição ímpar daquelas culturas. Que o prof. Johnni e os estudiosos ao seu redor ampliem ainda mais a sua esfera de atuação – queiram os deuses de Asgard!"
Prof. Dr. Álvaro Bragança Júnior - Rio de Janeiro - UFRJ

"O NEVE representa para mim uma oportunidade única no Brasil de estimular não somente os estudos sobre os vikings mas sobre o mundo germânico antigo e medieval. Um local para se trocar ideias de maneira completamente diversa a que estamos acostumados na vida acadêmica, e onde o conhecimento é verdadeiramente construído com a contribuição do grupo. Assim, deixa uma marca indelével em quem participa de suas reuniões e eventos. Deixa também marcas importantes na pesquisa e alcança um lugar merecido no panorama acadêmico nacional, finalmente colocando os estudos germano-escandinavos em pauta. Parabéns NEVE."

Prof. Ms. Sandro Teixeira Moita - Escola de Comando e Estado Maior-do Exército (ECEME)/NEVE


 
"Por ocasião do comparecimento em um evento de História Antiga e Medieval, recebi pessoalmente do prof. Dr. Johnni Langer o convite para ingressar em um núcleo de estudos que estava sendo formado. A proposta era congregar os profissionais brasileiros que se dedicavam seu tempo de pesquisa integralmente aos estudos da Escandinávia Medieval, com foco na Era Viking. É necessário entender que o panorama da Escandinavística no Brasil não era favorável: o Núcleo de Estudos Vikings e Escandinavos, com o agradável acrônimo NEVE, representou antes de tudo uma acolhedora perspectiva para jovens pesquisadores ávidos por novos espaços na historiografia medieval brasileira. Apesar de contarmos com o apoio de vários companheiros de áreas afins, o grupo era formado praticamente por recém graduados e mestrandos guiados pelo professor Langer. Apesar de cada membro do NEVE ter sua carga própria de publicações, o núcleo tem vivido sob um compromisso de camaradagem ímpar, sempre demonstrado pela convivência afetuosa nas redes sociais, trocas de correspondências eletrônicas e dos encontros em eventos acadêmicos. Cinco anos se passaram e algumas conquistas devem ser celebradas: o Notícias Asgardianas, nosso principal meio de manifestação, ruma para sua décima segunda edição, além de livros e artigos com as pesquisa de seus membros que estão no prelo. Ainda mais, o Dicionário de Mitologia Nórdica é um sucesso absoluto, com ampla aceitação dentro e fora do meio acadêmico e é nesse sentido que ficam aqui meus votos para que o NEVE continue pavimentando seus rumos com discussões instigantes, descontinando os fiordes do conhecimento histórico para os leigos e os amigos pesquisadores."

Prof. Ms. Pablo Gomes de Miranda, doutorando em Ciências das Religiões pela UFPB, membro do NEVE.
 
 
"Nestes sete anos anos de NEVE devo começar minhas homenagens por agradecer a oportunidade de fazer parte deste grupo que com suas publicações e eventos continua a engrandecer os estudos Vikings e escandinavos no Brasil fazendo com que áreas ainda pouco exploradas se tornassem presentes na academia. Quero também deixar claro minha profunda admiração a todos que tomam parte desta tão árdua batalha que os escandinavistas brasileiros estão superando, podendo salientar a publicação do Dicionário de Mitologia Nórdica mais uma batalha foi vencida de muitas que ainda estão por vir. Vislumbrando assim as dificuldades e batalhas que ainda teremos que passar, quero por fim ressaltar a lealdade que os acadêmicos deste grupo apresentam entre eles, aspecto raro na academia brasileira, pedindo assim que nunca permitam que o ego os suba a cabeça em momento nenhum e que nunca se julguem maiores ou melhores do que ninguém porque é o fato de nos mantermos leais a nossos princípios e de não nos engrandecermos em particular e sim em quanto a grupo que nos trouxe tão longe e que pode nos levar ainda mais nestas constantes batalhas pessoais que todos estamos submetidos na academia Brasileira."

Munir Lutfe Ayoub, doutorando em Arqueologia pela USP, membro do NEVE.

 

domingo, 28 de maio de 2017

Como estudar a Mitologia Nórdica no Brasil: dicas, fontes e bibliografia




COMO ESTUDAR A MITOLOGIA NÓRDICA NO BRASIL: DICAS, FONTES E BIBLIOGRAFIA

Prof. Dr. Johnni Langer (UFPB/NEVE)

Com o sucesso de muitos filmes, romances, quadrinhos e música, a mitologia nórdica vem sendo constantemente foco de interesse no mundo moderno. Séries de tv como Vikings, filmes como Thor e a recente tradução do livro Mitologia Nórdica de Neil Gaiman reforçam ainda mais esse interesse popular. Mas afinal, como conhecer mais a fundo esse rico universo mítico? Quais os melhores livros e qual caminho tomar para o seu aprofundamento?

1. Primeiro passo: a leitura de manuais
A leitura direta das fontes primárias da Mitologia Nórdica não é uma tarefa fácil, então o primeiro passo que recomendo é a leitura de manuais introdutórios que possam fornecer uma visão sistêmica e geral do panteão, das divindades, das principais fontes, das narrativas. Em língua portuguesa já foram publicados duas obras da famosa mitóloga britânica Hilda Davidson que conseguem dar conta deste panorama introdutório de forma muito competente: Deuses e mitos do norte da Europa (Madras, 2004) e Escandinávia (Lisboa: Verbo, 1987), são de fácil leitura e fornecem os principais elementos analíticos para o interessado. Podem ser adquiridos em sebos e bibliotecas.


Eu não recomendo a leitura de qualquer coisa da escritora Mirella Faur. Além de suas obras não serem acadêmicas (são livros escritos de um ponto de vista místico e esotérico), contém muitos erros históricos, anacronismos, fantasias e visões preconceituosas. Para um conhecimento mais aprofundado destes equívocos, leia a seguinte resenha que publiquei em 2008: Runas e magia.
Para quem domina a leitura do espanhol, outra dica excelente é o maravilhoso livro de Enrique Bernardez (Los mitos germânicos), que recentemente recebeu uma nova edição. Ele é bem atualizado e descreve em detalhes todos os aspectos das diversas narrativas, suas versões e múltiplas características. Para os leitores de inglês, nenhum manual introdutório é mais recomendado que Myths of the pagan North, de Christopher Abram.


Não posso deixar de mencionar o Dicionário de Mitologia Nórdica (Hedra, 2015), a maior e melhor publicação sobre o tema em língua portuguesa, recomendado não somente para iniciantes como também para pesquisadores mais avançados. Ele possui referências sobre localidades, deuses, autores, fontes, símbolos, narrativas, etc. Para quem está no começo das pesquisas, sugiro primeiro ler os verbetes Mitologia Nórdica, Edda Poética, Edda em Prosa, Antropogonia, Cosmogonia, Cosmologia, Ragnarok, Snorri Sturluson, para em seguida ler os principais deuses: Odin, Thor, Freyja, Loki, Balder e depois seguir as remissões indicadas nestes verbetes.

2. As fontes
Aqui chegamos num ponto muito delicado. Não existem traduções acadêmicas das principais fontes da mitologia nórdica do nórdico antigo para o português, as duas Eddas. Se você é uma pessoa apenas interessada em conhecer os mitos e não necessariamente estudar eles de um ponto de vista acadêmico, então eu recomendo primeiro a leitura da Edda de Snorri (ou Edda Menor). Como ela foi escrita em prosa e unificada em uma visão linear e sistematizadora (e do ponto de vista de um cristão, por certo), facilita muito ao leitor moderno a sua compreensão. Na falta de uma tradução acadêmica no Brasil, eu recomendo a leitura da versão de Artur Avelar, disponível pela Amazon. Ela foi realizada com base em traduções ao inglês e é bem mais séria e organizada que a proposta por Marcelo Lima em 1997. Mas se você é graduando ou pesquisador acadêmico, não tem jeito, vai ter que apelar para uma tradução direta do nórdico antigo para uma língua moderna, seja ao espanhol – recomendo Edda Menor (Alianza, 2000, tradução de Luis Lerate), em inglês – The Prose Edda (Penguin, 2005, tradução de Jesse Byock); ao francês - L´Edda (Gallimard, 1991, tradução de François Xavier-Dillmann).

  


Com a Edda Poética (ou Maior) já temos alguns poemas éddicos traduzidos diretamente do nórdico antigo. Um deles, o Grímnismálestá disponível pela revista Roda da Fortuna. Outro, o Thrysmskvida, está disponível no Dicionário de Mitologia Nórdica (p. 510), bem como a Canção das lanças (p. 91). Mas se você quer a Edda Maior de maneira mais tradicional (com as edições dos poemas heroicos e mitológicos), terá que apelar novamente para as traduções estrangeiras: na tradução ao espanhol de Luis Lerate (Edda Mayor, alianza, 2016); ao inglês uma das mais acessíveis é a versão de Carolyne Larrington (The Poetic Edda, Oxford), e ao francês – L´Edda Poétique, traduzida por Régis Boyer (Fayard, 1992).

  


Outras importantes fontes primárias são os poemas éddicos incluídos nas sagas islandesas (denominados de Eddica Minora) e alguns poemas escáldicos com conteúdos míticos. Parte deste legado foi traduzido ao espanhol por Luis Lerate e encontra-se no livro Poesía antiguo-nordica: antologia siglos X-XII (Alianza Editorial, 1993).

 


Também as sagas lendárias contém material mitológico, especialmente as sagas lendárias. A mais famosa delas, a Saga dos Volsungos, recebeu uma bela edição da editora Hedra (2009), realizada pelo pesquisador Théo de Borba Moosburger. Sobre a questão do ciclo nibelungiano, do qual a Volsunga faz parte, existe um excelente documentário franco-alemão que está disponível no youtube (El cantar de los Nibelungos, dublado em espanhol):



Aliás, existem poucos materiais audiovisuais de credibilidade sobre mitologia nórdica. Outra dica envolvendo documentários é uma razoável produção norte-americana, Thor (série: Confronto dos deuses). Descontando algumas mancadas, como a maquiagem e figurino dos deuses nórdicos (horrível por sinal) e um ou outro erro, o documentário é recomendável, especialmente pela inclusão de diversas análises de acadêmicos.



Um excelente recurso avançado para o conhecimento geral das fontes da mitologia nórdica está disponível no projeto PCRN: Sources da Universidade de Abberden (manuscritos, narrativas, cultura material, toponímia, inscrições rúnicas, etc).
Outros materiais de referência obrigatórios para estudantes de qualquer nível são os capítulos Mythology and mythography, John Lindow; Eddic Poetry, Joseph Harris, incluídos no livro Old Norse-Icelandic Literature (Toronto Press, 2005) e Eddic Poetry, Terry Gunnell (da obra Old Norse-Icelandic Literature and Culture, Blackwell, 2007). Ambos fornecem uma visão historiográfica de cada poema éddico, bem como estudos sobre suas datações, interpretações, contexto codicológico e relação com a tradição oral e literária do medievo.

3. Obras analíticas avançadas
Não se pode desprezar a leituras dos clássicos, e neste sentido o conhecimento da obra de Georges Dumézil é primordial. Ele possui uma obra traduzida, Do mito ao romance (Martins Fontes, 1982), do qual podemos perceber sua vasta erudição e conhecimento das fontes escandinavas, apesar de sua perspectiva teórica ter ficado muito datada. Também em espanhol existem boas traduções de outros livros de sua autoria: Los dioses de los germanos (siglo xxi, 1990) e El destino del gerrero (siglo xxi, 2003).
Meus três livros autorais contém estudos de caso da mitologia nórdica (publicados entre 2009 e 2016) e são indicados para quem já tem alguma base na área e podem fornecer parâmetros para novas pesquisas: Deuses, monstros e heróis (UNB, 2009); Na trilha dos vikings (UFPB, 2015) e Fé Nórdica (UFPB, 2015). 

  


Também os artigos dos membros do NEVE podem auxiliar muito neste sentido (clique aqui).
Particularmente, destaco uma importante contribuição reflexiva sobre as Eddas e seus limites como fonte da mitologia nórdica, escrita pelo membro lusitano do NEVE, o historiador Hélio Pires: As Eddas não dizem tudo (Férula 10, 2015).
Mas não há como fugir das obras em inglês. Aliás, na medida em que for avançando nas pesquisas, o estudante perceberá que o domínio instrumental da língua inglesa é uma necessidade imprescindível para qualquer campo da Escandinavística e necessária para toda pesquisa em nível de pós-graduação. Com o tempo, o pesquisador também deve consultar o idioma original das fontes, com o intuito de perceber outros elementos em seu contexto para uma análise mais sofisticada.
Na língua inglesa existem dezenas de clássicos e obras primorosas para o estudo da mitologia nórdica e é quase impossível de realizar uma lista completa neste momento. Eu vou citar apenas algumas, de que tenho mais afinidade e que possuem perspectivas passíveis de aplicação em novas pesquisas. A coletânea The Poetic Edda: essays on Old Norse Mythology (Routledge, 2002) é uma verdadeira obra prima da academia, reunindo pesos pesados dos estudos mitológicos e com alguns clássicos, como o estudo da pesca da serpente do mundo (Preben Sørensen), o hidromel de Gunnlod por Katrina Attwood; a maldição em Skírnismál por Joseph Harris, entre muitos outros. Da já citada Hilda Davidson, aconselho um de seus melhores estudos: Myths and symbols in Pagan Europe (Syracuse Press, 1988), no qual realiza uma comparação vigorosa entre os mitos celtas e nórdicos. Para finalizar, um dos mais emblemáticos e mesmo paradigmáticos estudos contemporâneos, The origins of drama in Scandinavia, de Terry Gunnell (colaborador estrangeiro do NEVE). Nesta obra, o autor recupera a discussão das origens orais dos mitos e suas implicações folclóricas, além do teor de dramatização e performance das narrativas.

4. A escolha de temas para pesquisa
Não é fácil escolher um bom tema para pesquisa, mas isso não significa que é impossível. Para o iniciante nos estudos nórdicos, pode parecer muito complicado eleger um assunto que seja original, uma abordagem inédita ou uma problemática que poucos tenham analisado, mas com a experiência, as leituras e o avanço nas pesquisas, o estudante vai perceber que existem ainda muitas possibilidades de investigação.
Uma sugestão é na medida em que for lendo as Eddas, escolhendo algum método de análise e lendo as bibliografias secundárias, entre em contato com os escandinavistas do NEVE e troque informações ou solicite auxílio nesta ocasião. O intercâmbio em muitos casos pode auxiliar muito a escolha de temas e abordagens, especialmente dentro da academia brasileira e suas diversas possibilidades, especialmente na História, Letras e Ciências das Religiões. O melhor é se cadastrar no grupo do NEVE no facebook e compartilhar suas dúvidas, ansiedades e opiniões. Aguardamos o seu contato! Também grande parte dos livros indicados neste ensaio estão disponíveis em formato pdf na seção arquivos do grupo NEVE no facebook, aproveite e se cadastre.



5. Os métodos de pesquisa
Quase tão importante quanto escolher uma fonte, um recorte espaço temporal e uma perspectiva teórica, é definir um método de pesquisa. Geralmente os estudantes brasileiros de mitologia acabam convergindo para algum autor da fenomenologia, visto que é a vertente mais traduzida até hoje em língua portuguesa. Mas existem outras opções, mais modernas e coerentes.
Para começar, é necessário ler um pouco sobre teoria do mito. O manual Introdução à mitologia (Paulus, 2014), de José de Almeida Júnior, é um bom começo. O seu problema é que aborda exclusivamente autores fenomenológicos (Eliade, Jung, Campbell, etc). Uma leitura ainda melhor é o livro de Victor Jabouille: Iniciação à Ciência dos Mitos (Lisboa: Inquérito, 1986), possível de ser encontrado em sebos virtuais ou em grandes bibliotecas. Nesta obra, o autor trata das diversas teorias dos mitos, do funcionalismo até o estruturalismo e a história italiana das religiões. Uma leitura ainda mais avançada, mas nem por isso menos acessível aos graduandos, é o livro: A invenção da mitologia, de Marcel Detienne (Edunb, 1992), que pertence à perspectiva da Escola de Paris, preponderando a perspectiva histórico social dos mitos. Sempre é aconselhável ao pesquisador tem uma noção historiográfica do seu campo de atuação e neste sentido o capítulo The interpreters (The lost beliefs of Northern Europe, 2001) de Hilda Davidson é exemplar, conferindo uma visão diacrônica das diversas interpretações acadêmicas sobre os mitos escandinavos.
Com relação à metodologia de análise, o estudante pode utilizar a proposta do historiador Ciro Flamarion Cardoso em seu livro Narrativa, sentido, História (Papirus, 2005), baseada na análise histórico-literária do formalismo russo. Além de fornecer o modelo teórico, Cardoso também exemplifica na prática, analisando detalhadamente uma narrativa nórdica medieval, o conto de Helgi Thorisson (pp. 67-83). Seguindo essa perspectiva, em 2006 eu realizei uma proposta de análise do poema éddico Thrymskvida (Mythica Scandia, pp. 54-60).

  


Outra possibilidade muito interessante de se analisar os mitos nórdicos é através do imaginário social de perspectiva francesa. Recomendo a leitura dos dois capítulos da seção Mito e Método (Os três dedos de Adão: ensaios de mitologia medieval, Edusp, 2010) do medievalista Hilário Franco Júnior. Grande parte dos meus estudos dos anos 2000 foi nesta perspectiva analítica.
Existem diversas outras perspectivas metodológicas, mas finalizamos apenas com mais uma, a iconográfica e da cultura material dos mitos nórdicos. O pesquisador Signe Horn Fuglesang possui um estudo paradigmático neste referencial: Iconographic Traditions and Models in Scandinavian Imagery (International Saga Conference, 2006). Também o livro Iron Age myth and materiality: an Archaeology of Scandinavia AD 400-100, de Lotte Hedeager (Routledge, 2011) é um excelente exemplo de análise material dos mitos. Uma metodologia e ao mesmo tempo perspectiva teórica que vem sendo muito aplicada pelos arqueólogos dinamarqueses é a da cosmologia. Uma leitura instrumental desta vertente analítica é o estudo The part of the whole: cosmology as anempirical and analytical concept, de Catharina Raudvere (Temenos 45(1), 2009).
A última dica: mantenha acima de tudo a perseverança. A Escandinavística no Brasil ainda é um campo não consolidado e muitos professores universitários ainda percebem com desconfiança qualquer interesse no estudo dos mitos nórdicos. Pesquise o que goste, mas também seja ponderado e não abandone suas metas. No fim, o resultado pode ser alcançado.




6. Pós-graduação:

Não existem cursos de pós graduação com foco ou ênfase objetiva nos estudos de mitologia nórdica, ao menos no Brasil. A possibilidade é ingressar em algum mestrado ou doutorado acadêmico em áreas genéricas como História ou Letras e ter o projeto de pesquisa voltado para o estudo de alguma narrativa mítica da área escandinava. A maior dificuldade é encontrar algum professor cadastrado em programa que tenha interesse em orientar esse tema, visto que grande parte dos medievalistas preferem outros interesses. Mas a melhor opção atualmente em nosso país são os programas de pós graduação em ciência da religião, com cursos em São Paulo (PUC-SP), Minas Gerais (UFJF) e várias cidades e capitais do país. O curso com mais pesquisas defendidas e em andamento sobre mitologia nórdica é o PPGCR da Universidade Federal da Paraiba.
Referências: